Um family office é uma estrutura que cuida do patrimônio inteiro de uma família, e não só da carteira de investimentos. Ele cuida de onde o dinheiro está investido, da proteção da família, do orçamento, da aposentadoria, dos impostos e da sucessão, tudo coordenado por um consultor que acompanha a família de perto. Por muito tempo isso foi serviço de bilionário. Hoje, no modelo de multi family office, em que uma mesma equipe atende várias famílias, esse acompanhamento começa para quem tem a partir de R$ 500 mil investidos.
Eu passei os últimos dois anos longe do YouTube construindo um escritório assim em Brasília. Neste texto conto de onde eu vim, por que parei de gravar e o que aprendi sentando todo mês com essas famílias. E também a ideia que mais mudou a minha cabeça nesse tempo: o dinheiro pode ser o melhor funcionário que você vai ter na vida.
Uma casa de R$ 180 mil que rendia R$ 400 por mês
Eu estudo investimentos desde 2016. Antes de ter canal ou empresa, já fazia isso de graça: dava palestra informal, ajudava amigo, cuidava do dinheiro da família. Desde a escola eu tinha a mania de explicar tudo para todo mundo. Os amigos me chamavam de "Prof Ro".
Mas tem uma história da minha família que explica tudo o que faço até hoje.
Meu pai é militar. Minha mãe trabalha há mais de 30 anos na mesma empresa: começou como recepcionista e chegou a gerente financeira. Tudo o que eles têm foi muito suado. Com esse esforço, compraram uma casa para alugar no interior do Paraná, perto de Curitiba. A casa valia uns R$ 180 mil e rendia R$ 400 por mês, quando o inquilino pagava.
Eu e o Bruno, meu irmão gêmeo, passamos quatro anos tentando convencer os dois a vender. "Pai, mãe, esse negócio não dá dinheiro." Não é fácil um pai confiar em dois meninos de 18 anos para vender uma casa e colocar o dinheiro na bolsa. Até que um dia eles venderam. De um mês para o outro, os R$ 400 que nem sempre chegavam viraram R$ 2.000 por mês.
Isso não é promessa de nada. Cada época tem os seus juros, e aquela era de juros altos. O ponto é outro: o dinheiro era o mesmo. O que mudou é que ele parou de ficar parado e começou a trabalhar para a minha família. Foi ali que entendi o poder que o conhecimento tem na vida das pessoas.
Do canal ao escritório: quando as perguntas mudaram
Em agosto de 2020, no meio da pandemia, eu, o Bruno e o nosso amigo Victor abrimos um canal no YouTube, o Capital Investidor. Era hobby. A ideia era ajudar as pessoas a investir melhor.
Demorou. Tudo o que você começa demora para sair da inércia. Em agosto de 2021 tínhamos 2.200 inscritos, e bater os primeiros mil foi festa. Em 2022 chegamos a 30 mil, em 2023 a 47 mil, em 2024 a 90 mil. Hoje são 94 mil pessoas, e foi cada comentário e cada pergunta que transformou o hobby de dois irmãos e um amigo de Curitiba em tudo o que veio depois.
Só que aconteceu uma coisa que a gente não esperava. As perguntas mudaram. Deixaram de ser "me explica o que é CDB" e passaram a ser "me ajuda a organizar a minha vida financeira inteira". Em 2021, eu e o Bruno abrimos uma empresa de planejamento financeiro para atender quem chegava pelo canal.
Aí veio o pedido que mudou tudo: "Rodrigo, investe por mim."
A gente não sabia fazer isso direito. Então fomos estudar como os bancos faziam, como as assessorias faziam e, principalmente, como as consultorias de investimento faziam. Entramos numa consultoria com mais de 17 anos de mercado, onde trabalhei dois anos como consultor e onde viramos sócios. Foi lá que aprendi o que é ser consultor de verdade. Sou eternamente grato àquela casa: foram meus professores nesse ramo.
Por que eu saí e vim para Brasília
Em abril de 2024 tomei uma das decisões mais difíceis da minha vida. Eu queria uma empresa com os meus princípios, os meus valores e a minha cultura. Algo sério, seguro e grande, mas também familiar, com atendimento presencial e gente que olha no olho.
Eu, o Bruno e o João Paulo, sócio que conheci na consultoria anterior, decidimos criar a GS. Eu e o Bruno saímos de Curitiba com a mala na mão para uma cidade nova, uma empresa nova e nada garantido. Minha família chorou muito. Sair de uma casa de 17 anos e nome forte no mercado para abrir a sua não é simples.
A GS começou em 2024 com R$ 70 milhões sob consultoria. Hoje são mais de 140 famílias e quase meio bilhão de reais.
O canal ficou para trás porque o dia a dia de uma empresa nova me engoliu. Não teve um dia em que eu decidi parar. Em algum momento a gente tem que escolher, e eu escolhi cair de cabeça no escritório. Foram mais de dois anos arrumando a casa: processos, metodologia, sistemas internos, área técnica e uma equipe que hoje passa de 15 pessoas. Eu venho de colégio militar e já trabalhei com gestão de processos e de projetos, então gosto de tudo muito bem arrumado.
Essa estrutura ninguém vê de fora. Mas é ela que dá tranquilidade para uma família que confia o patrimônio a alguém. Se me perguntam se eu me arrependo de algo, a resposta é não. Eu faria tudo igual.
Investimento é só um dos seis pilares
Quando eu gravava para o canal, falava só de investimento: qual fundo, quanto está a taxa, como investir em tal banco. Quando comecei a sentar todo mês com as famílias, descobri que investimento é só uma parte da história. Cuidar de patrimônio de verdade envolve seis pilares:
- Gestão do patrimônio: onde está o seu dinheiro, e se ele está trabalhando de forma eficiente para você.
- Gestão de riscos: o que acontece com a sua família se você ficar doente ou faltar amanhã. Seguro, reserva e proteção.
- Orçamento e fluxo de caixa: quanto entra, quanto sai e quanto sobra no fim do mês. Muita gente com muito dinheiro não sabe responder.
- Aposentadoria: qual é o número que você precisa ter para trabalhar por opção, e não por obrigação.
- Impostos: quanto fica no fim, depois dos impostos. Dá para pagar menos dentro da lei, com elisão fiscal. Evasão fiscal é outra coisa.
- Sucessão: como garantir que o patrimônio que custou tanto suor fique com o seu cônjuge e os seus filhos, e não se perca no inventário.
Nesses cinco anos, primeiro explicando no canal e depois sentando na frente de cada cliente, eu vi como as decisões de quem tem patrimônio são diferentes umas das outras. Vi famílias multiplicarem o que tinham. Vi também quem poupou a vida inteira, se aposentou sem INSS e sem nada garantido além do próprio patrimônio, e precisava transformar isso em renda para o resto da vida. Costumo dizer que nesses cinco anos parece que eu cresci cinquenta.
O que muda quando a família tem um consultor
Eu falo que sou muito mais do que alguém que clica um botão para fazer investimento. Consultor tem que ser conselheiro. Você tem conselheiro de nutrição, de esporte, de fé, às vezes um psicólogo. Deveria ter também um conselheiro da vida financeira.
Tem um estudo que mostra isso muito bem. O CIRANO, centro de pesquisa ligado às universidades de Montreal, comparou milhares de famílias canadenses com e sem consultor, levando em conta renda, idade e escolaridade. Quanto mais tempo de acompanhamento, maior a diferença de patrimônio:
- 4 a 6 anos de acompanhamento: 1,7 vez o patrimônio de quem investe sozinho
- 7 a 14 anos: 2,7 vezes
- 15 anos ou mais: 3,9 vezes Fonte: Claude Montmarquette e Nathalie Viennot-Briot, "The Gamma Factor and the Value of Financial Advice", CIRANO, 2016.
Não é porque o consultor faz milagre. Os próprios autores apontam o motivo: as famílias acompanhadas pouparam mais e mantiveram a disciplina quando o mercado caiu. É como a dieta. Você até poderia fazer a mesma dieta sozinho, mas com o nutricionista você se compromete, porque tem alguém te cobrando. No longo prazo, o comportamento muda o patrimônio. E é exatamente isso que um family office faz.
Como funciona um family office na prática
Na GS funciona assim. Cada família tem um consultor que conversa com ela todo mês e conhece os objetivos, as preocupações e a história dela. Não é alguém que aparece para vender produto. Por trás de cada consultor há um time: área técnica, análise de investimentos, especialistas em ações, fundos imobiliários e investimentos internacionais, banker e backoffice. Sem esse time, o consultor não teria tempo para cuidar de tudo.
A diferença mais importante está em quem paga:
- Gerente de banco: é pago pelo banco, oferece os produtos do banco e acompanha só os investimentos.
- Assessor de investimentos: é pago pela corretora, por comissão dos produtos, oferece o que a corretora distribui e acompanha só os investimentos.
- Consultor CVM em um multi family office: é pago pelo próprio cliente, por uma taxa de consultoria, recomenda o que faz sentido em qualquer instituição e acompanha os seis pilares do patrimônio.
Foi isso que me fez virar consultor de investimentos em 2021. Eu via muito assessor e muito gerente preocupado em empurrar produto ruim no cliente para ganhar comissão. No modelo de consultoria, quem paga é o cliente, e na GS qualquer rebate que um produto pague volta integralmente para a conta dele. Quando eu olhei para isso, pensei: "se eu quisesse isso para a minha família, seria assim". Quando recomendo algo, é a melhor recomendação para aquela família, e não a que paga mais comissão.
E isso não é só para quem tem R$ 100 milhões. A gente atende famílias a partir de R$ 500 mil. Tem que ser um ganha-ganha: o que o cliente paga pela consultoria precisa valer muito mais em organização, liberdade, paz e rendimento.
O nosso maior propósito é trazer paz e tranquilidade. No meio de tanta complexidade (imposto, mercado, notícia, família), ter alguém do lado dizendo "calma, está tudo dentro do planejado" é a maior satisfação que eu vejo nas pessoas que sentam na minha frente.
O dinheiro pode ser o seu melhor funcionário
Pensa comigo. O dinheiro pode ser o melhor funcionário da sua vida. Ele não pede aumento, não pede demissão, trabalha 24 horas por dia, inclusive quando você está dormindo ou de férias. Não fica emburrado.
A única coisa que ele pede é respeito. O dinheiro não aceita desaforo. Se você trata mal, gasta sem plano ou deixa parado, ele vai embora. Se trata bem, com plano, ele trabalha para você a vida inteira.
Lembra da casa dos meus pais? Era um funcionário parado, rendendo R$ 400 por mês com um inquilino que nem sempre pagava. Bastou colocá-lo para trabalhar do jeito certo.
Um detalhe importante: não é ter amor ao dinheiro. Amor você tem pela sua família, pela sua fé, pelas pessoas, pelos seus hobbies. O dinheiro é ferramenta. É ele que compra o tempo para você viver tudo isso. Sem ele, você precisa trabalhar o tempo todo, e trabalhar não é a vida inteira.
É isso que eu chamo de trabalhar por opção, e não por obrigação: chegar ao ponto em que o seu patrimônio gera a renda de que você precisa para viver o seu mês. Eu continuo trabalhando porque gosto do que faço. Quando você chega nesse ponto, muda o humor, muda a vida e pode mudar a sua família.
Assista ao vídeo completo
Neste texto ficou a essência. No vídeo eu conto com mais detalhes a história da casa dos meus pais, os bastidores da saída de Curitiba e o que muda no canal daqui para frente: conteúdo mais técnico, com dados e evidência, sobre como proteger, organizar e multiplicar o patrimônio para que ele gere renda.
Assista ao vídeo completo no YouTube: "Eu sumi por 2 anos. Agora posso contar o motivo" [Canal do YoyTube da GS Investimentos](https://www.youtube.com/@RodrigoSprada
Tem vídeo novo toda quinta-feira, às 19h, no canal Rodrigo Sprada | GS Investimentos.
Se você tem a partir de R$ 500 mil investidos e quer saber se o seu planejamento faz sentido, agende uma conversa com um dos nossos consultores. São 30 a 40 minutos, gratuitos e sem compromisso.
Perguntas frequentes
O que é um family office?
É uma estrutura que cuida do patrimônio inteiro de uma família: investimentos, proteção, orçamento, aposentadoria, impostos e sucessão. A diferença para um gerente ou assessor é o escopo, que vai além da carteira, e a coordenação de tudo por um consultor que acompanha a família de perto.
Qual a diferença entre family office e multi family office?
O single family office atende uma única família, com equipe própria, e costuma fazer sentido só para patrimônios muito grandes. O multi family office atende várias famílias com a mesma equipe, o que dilui o custo e leva esse acompanhamento a patrimônios menores.
Quanto patrimônio preciso ter para contratar um family office?
Depende da casa. Na GS, atendemos famílias a partir de R$ 500 mil de patrimônio investível. Quem tem menos que isso também pode fazer a conversa inicial gratuita para receber um direcionamento.
Como um consultor de investimentos é remunerado?
No modelo de consultoria, o cliente paga uma taxa definida em contrato. Na GS, essa é a única fonte de receita, e os rebates que os produtos pagariam à distribuidora voltam integralmente para a conta do cliente.
Preciso transferir meu dinheiro para a GS?
Não. A GS não fica com o dinheiro de ninguém. Os recursos continuam no banco ou na corretora em que já estão, e a consultoria atua sobre eles.
A GS atende fora de Brasília?
Sim. A sede fica em Brasília, na Asa Norte, mas atendemos famílias em todo o Brasil e brasileiros que moram no exterior, presencialmente ou a distância.
Sobre o autor. Rodrigo Sprada é sócio da GS Investimentos, multi family office e consultoria de investimentos independente em Brasília. Formado em Administração pela UFPR, tem as certificações CEA e FBB100 e é consultor de valores mobiliários credenciado pela CVM. Atua em planejamento financeiro e sucessório, carteiras personalizadas e relatórios patrimoniais. Estuda investimentos desde 2016.
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.
