Investir no exterior é a estratégia de alocar parte do patrimônio em ativos denominados em moeda forte, por meio de plataformas internacionais ou estruturas offshore. Para uma família brasileira com patrimônio relevante, deixar de ter exposição internacional é, na prática, concentrar 100% do risco em uma economia emergente.
O Brasil é um país de dimensão continental, mas, quando olhamos para o tamanho da economia global, essa percepção muda completamente. O Brasil representa menos de 2% do PIB mundial. Mesmo o nosso maior mercado, o de renda fixa, corresponde a apenas 2,1% do mercado de renda fixa global, e o mercado de renda variável brasileiro não chega a representar 1% do mercado de ações do mundo. Para efeito de comparação, o mercado de ações americano é 132 vezes maior que o brasileiro, e o mercado de renda fixa dos Estados Unidos é 20 vezes maior que o nosso
Na prática, isso significa que um investidor que mantém todo o seu patrimônio apenas no Brasil está de fora de mais de 98% das oportunidades de investimento disponíveis no mundo, incluindo os setores que mais crescem atualmente, como tecnologia e inteligência artificial, que têm participação limitada na bolsa brasileira. Esse descompasso fica evidente quando comparamos o peso do Brasil no cenário global com o quanto do patrimônio das famílias brasileiras ainda está concentrado dentro do próprio país, hoje, a maior parte do patrimônio do investidor brasileiro médio permanece alocada no Brasil, mesmo o país representando uma fração mínima da economia mundial.
Além do tamanho do mercado, há também uma questão de perfil de retorno. Investimentos internacionais tendem a entregar um retorno mais consistente ao longo do tempo e, principalmente, dão acesso a empresas ligadas a toda a cadeia de suprimentos da Inteligência Artificial, de semicondutores e infraestrutura de data centers até as companhias que estão aplicando IA para ganhar produtividade em seus setores. Esse é um universo de empresas praticamente inexistente na bolsa brasileira. Ao comparar o retorno de diferentes classes de ativos brasileiras com o retorno de ativos internacionais na última década, fica visível como o retorno em dólar somado à variação cambial supera, na maioria dos casos, os retornos disponíveis no mercado brasileiro.
Diversificar geograficamente não é só sobre buscar retorno, é também uma forma de proteção. O poder de compra dos brasileiros é diretamente afetado pelo câmbio, já que parte relevante da cesta de bens e serviços consumida no país é importada ou tem seu preço referenciado em dólar, como é o caso de combustíveis, eletrônicos e diversos insumos industriais. Um estudo da FGV mostra que, entre julho de 2006 e junho de 2024, a desvalorização do real fez os custos de consumo aumentarem entre 13% e 15% em todas as faixas de renda no Brasil, e o impacto é ainda maior para quem tem gastos no exterior, como viagens e compras internacionais. Como o dólar é a principal moeda de transação globalmente, ele funciona como uma referência de valor: nesse comparativo, o real já perdeu 83% do seu poder de compra desde a sua concepção, reforçando a lógica de manter parte do patrimônio protegido em moeda forte.
Como o dólar é a principal moeda de transação globalmente, ele funciona como uma referência de valor: nesse comparativo, o real já perdeu 83% do seu poder de compra desde a sua concepção, reforçando a lógica de manter parte do patrimônio protegido em moeda forte.
Não existe um número mágico, o percentual ideal depende do horizonte, dos objetivos e das necessidades de cada família. Para algumas, o patrimônio no exterior funciona como um plano B; para outras, é puramente uma questão de diversificação. De maneira geral, usamos como referência inicial:
Esse percentual também leva em conta o fluxo de caixa necessário no curto e médio prazo, já que diversificar não pode comprometer a liquidez do dia a dia da família.
Ajudamos nossos clientes a investir no exterior em qualquer corretora de sua preferência. Além disso, contamos com parceiros que oferecem soluções específicas para atender às necessidades de quem está internacionalizando patrimônio, como Avenue, BTG Internacional e XP Internacional.
No exterior, o investidor pode se expor a títulos públicos e ao mercado de ações de praticamente todos os países do mundo. Existem duas formas principais de fazer essa exposição: comprando o ativo diretamente ou investindo por meio de ETFs.
Os ETFs (Exchange TradedFunds) são veículos que permitem ao investidor se expor a uma cesta de ativos de forma barata e eficiente, em uma única operação, em vez de comprar dezenas de ações individualmente, um único ETF já entrega diversificação instantânea. Eles podem ser de gestão ativa, quando um gestor toma as decisões de investimento buscando superar um índice de referência, ou de gestão passiva, quando simplesmente replicam um índice de mercado, como o S&P 500, o Nasdaq ou o Ibovespa. O ETF VOO, por exemplo, replica o índice S&P 500, enquanto o QQQ replica o Nasdaq, e assim por diante para praticamente qualquer mercado ou setor do mundo.
Acreditamos que uma carteira robusta não pode depender de um único país, moeda ou ciclo econômico. Por isso, internacionalizar investimentos não é uma opção tática, é parte estrutural de como construímos patrimônio para nossos clientes.